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Fake news e o combate pela democracia na Europa

Não só o Brasil enfrentou a enxurrada de fake news nas redes sociais durante o período eleitoral. Muitos países passaram e passam pela mesma situação, com a publicação e compartilhamentos intensos de desinformação, com o objetivo de atingir e manipular setores específicos do eleitorado.

A política sempre conviveu com estratégias de informação e contrainformação., mas o vírus da desinformação tem lançado a desconfiança generalizada, a tal ponto que pode tornar-se letal para a democracia em várias nações do mundo.

No dia 12 de novembro foi assinado em Paris por 51 países, incluindo os 28 Estados-membros da União Europeia e centenas de empresas, organizações e instituições, o designado “Appel de Paris” – um apelo/manifesto para a confiança e a segurança no ciberespaço que visa contribuir para que os valores da ética e do Estado de direito prevaleçam no novo quadro da sociedade digital.

Segundo o euro deputado Carlos Zorrinho, em artigo publicado no site https://ionline.sapo.pt, o manifesto propõe colocar em prática uma estratégia multilateral, envolvendo os utilizadores das redes na sua gestão e verificação, num modelo inspirado pela forma como é governada a internet. “O texto prevê, aliás, uma primeira avaliação conjunta do resultado das ações propostas no contexto do Fórum de Paris sobre a Paz e do fórum sobre a governação da internet que se realiza em Berlim em 2019.”

Abaixo, publicamos, o restante de seu artigo:

“Preocupada com as potenciais interferências dos mecanismos de desinformação nos processos de decisão e nas eleições, designadamente nas eleições europeias de 2019, em que as redes de forças populistas vão tentar ganhar uma posição mais forte usando mecanismos de desinformação massiva, a Comissão Europeia lançou também uma estratégia de combate à desinformação em linha.

A estratégia tem quatro grandes linhas de ação. Em primeiro lugar, aposta na criação de um ecossistema mais transparente, fiável e responsável. Para isso propõe-se convocar um fórum multilateral sobre desinformação e promover um código de conduta para as plataformas digitais e a indústria da publicidade.

Em segundo lugar, aposta no reforço da verificação de fatos, do conhecimento coletivo e das capacidades de acompanhamento da desinformação, apoiando designadamente a criação de uma rede europeia independente de verificação de factos.

Em terceiro lugar, pretende promover a responsabilização em linha canalizando verbas do programa Europa Digital para desenvolver as tecnologias necessárias.

Finalmente, em quarto lugar, pretende promover a educação e a literacia mediática e digital para que os utilizadores sejam aliados de todo o processo, identificando, denunciando e não propagando ações de desinformação.

Esta estratégia terá uma prova de fogo nas próximas eleições europeias. Tenho consciência, pelos muitos debates em que tenho participado, que as medidas propostas são contestadas por muitas pessoas que ainda ambicionam conter os ataques feitos com as mais modernas armas de desinformação, usando como antídoto as metodologias do passado.

Temos de correr o risco de usar contra os inimigos da democracia o mesmo poder de fogo que eles usam contra ela. Precisamos de uma coligação de cidadania para, usando com sentido positivo a tecnologia disponível, ter sucesso neste combate.”

 

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